Mc carcarás do ingá

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segunda-feira, 13 de julho de 2015

Clássica: a 125 mais rara do Brasil

Atrasos no lançamento da primeira 125 da Yamaha determinaram sua vida curta e criaram uma das nacionais mais raras de nossa história 

 





No fim de 1974 a Yamaha inaugurou a fábrica de Guarulhos (SP) montando a primeira RD 50 já com planos para outros dois modelos. Queria nacionalizar a RS 125 e desenvolver uma versão trail para 1976, antes que a Honda concluísse seu projeto com a CB 125S. O cenário mudaria muito nesses dois anos e atrapalharia os planos da primeira fabricante nacional de motos, que havia decidido se instalar perto do mercado consumidor como fizeram as montadoras de automóveis no ABC paulista.
 
No início de 1976 o Governo determinou o fim das importações de veículos acompanhado de um índice de nacionalização obrigatório de 70%, o que impediu a Yamaha de lançar a RS dentro do cronograma por falta de fornecedores locais. Adiaram o lançamento e correram para desenvolver uma solução provisória com o aumento de cilindrada da RD 50 para 75, enquanto a Honda abandonava o terreno onde ergueria uma fábrica em Sumaré (SP) e direcionava esforços para a Zona Franca de Manaus – com a promessa de benefícios fiscais e facilidades para importar componentes do Japão. Na mesma época a concorrente também mudou a opção de modelo pela CG 125, de tecnologia mais simples, com comando de válvulas por varetas e câmbio de 4 marchas engatadas para baixo. 
     
A CG foi lançada no fim de 1976 e a RS somente um ano depois, nos últimos meses de 1977, nas cores vermelha e verde com faixas douradas. O preço da Yamaha estava mais próximo da Honda ML, variação luxuosa da CG que tinha câmbio de 5 marchas, freio a disco e melhor acabamento, mas na nacionalização a RS havia perdido o freio dianteiro a disco e a suspensão dianteira do tipo Ceriani já disponíveis no exterior.

O ponto alto era o desempenho superior do motor de 2 tempos, que entregava 12,5 cv, velocidade máxima de 115 km/h e uma “arrancada violenta, que levanta a roda dianteira com facilidade”, como dizia o primeiro teste publicado, em outubro de 1977. Esta performance só seria igualada pela Honda com a Turuna 125, a variação esportiva da CG lançada em 1979, que tinha comando de válvulas no cabeçote e 2,5 cv a mais – capazes de elevar a velocidade de 107 km/h para 119 km/h. A conclusão dos avaliadores sobre a RS foi positiva, elogiava o bom acabamento e a estabilidade, mas pedia uma fechadura para a tampa do tanque e um freio dianteiro mais eficiente (a Yamaha respondeu que providenciaria um tambor maior para o lugar daquele aproveitado da RD 75).

O sistema Autolube não era uma novidade, porque já existia em modelos importados do Japão, mas foi elogiado no teste de 10.000 km que se encerrou um ano depois da primeira avaliação da RS. Seu tanque de óleo 2 tempos evitava a necessidade de mistura à gasolina na proporção correta a cada abastecimento e ao armazenar 1,5 litro permitia rodar até 845 km ou o equivalente a três tanques de gasolina. O reservatório na lateral esquerda tinha um visor transparente para checagem do nível e era fácil de reabastecer por causa do assento que tinha dobradiça para ser levantado, dando acesso à tampa do bocal e à bateria.

Quando o processo de nacionalização da RS se completou no começo de 1979 com a produção local do motor, o nome foi modificado para RX 125 – a nova nomenclatura também seria adotada pelo modelo de entrada atualizado naquele ano, que passava a se chamar RX 80. Segundo a Yamaha, a RX 125 tinha 92% do peso em componentes nacionais, faltando carburador, magneto e embreagem, entre outros de menor importância.

O motor parecia esteticamente diferente por causa das aletas maiores e ganhou 6 mm no diâmetro do cilindro. A fabricante manteve os números máximos de potência e torque da RS, mas informava que estavam disponíveis 500 rpm antes, melhorando as acelerações e retomadas ao custo de uma redução de velocidade final (para 112 km/h). O saldo foi uma atualização que beneficiou o conforto na pilotagem, mais suave com o rendimento aprimorado em baixas rotações e agradável graças ao guidão 3 cm mais alto. A falta de potência do freio dianteiro foi resolvida com um tambor maior, mas o espelho retrovisor direito deixou de ser item de série e o painel de instrumentos nacional perdia em precisão.

A primeira trail nacional foi uma variação da RS vendida tardiamente a partir do fim de 1979. Chamava-se TT 125 e tinha roda dianteira de 19 polegadas em vez de 18”, pneus para fora-de-estrada e garfo de suspensão com 20 mm de curso extra, além de alterações visuais. Nascia com um futuro limitado porque a DT 180 já estava em desenvolvimento para 1981. A Yamaha também lançaria a RX 180 com estilo custom e apelo mais rodoviário. As 125 e as 180 conviveram na linha e continuaram em produção mesmo depois de a Yamaha lançar a nova família RD-Z 125 em 1983, com uma série de evoluções técnicas e de desempenho. Somente na segunda metade da década de 1980 a fabricante encerrou a história dos projetos da década anterior e se concentrou numa nova fase: a nacionalização das modernas RD 350LC e XT600Z Ténéré na recém-inaugurada fábrica de Manaus.


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